ENTRE TI E MIM
“O Absoluto não pode ser afetado por qualquer jogo da
consciência. Ele o vê, mas ali não participa. Do mesmo modo que você precisa
ver o seu ego, não para julgá-lo, mas para refutá-lo. Você não pode refutar o
que você não vê.”
Pergunta:
deixar como está [atitude de não intervir]
permite
atingir o despojamento de si mesmo, o que
você denominou “deixar-se limpar e lavar”?
Sim,
enquanto você acreditar e fizer o jogo de melhorar seja o que for, você se
afasta do Absoluto ou, no mínimo,
ele se afasta de você.
Porque,
enquanto você for levado a jogar com si mesmo, enquanto você for levado a jogar com
uma pseudo evolução, uma pseudo compreensão, você apenas se certifica de que
permanece na ignorância.
“Deixar como está”
é muito exatamente isso.
Enquanto
você for persuadido, ou se persuadir de que você deve fazer isso ou aquilo,
para estar melhor, para estar bem, para ser alguém mais merecedor, você irá
permanecer alguém.
Como
pode ser de outra forma?
O
Absoluto nada tem a ver com alguém
e, sobretudo, não com você.
Lembre-se:
o Absoluto é prazer total, totalmente ao
contrário do que acontece quando você se ocupa de você, porque a satisfação
sempre será apenas efêmera.
O
ego irá pedir-lhe sempre outra
coisa, sempre mais, ou conforme, sempre menos.
Pergunta:
durante um protocolo, eu senti o meu coração disparar. Eu refutei esta
manifestação dizendo que isso não me pertencia. Isso parou, mas, naquele
momento, o meu mental ficou ativado. Teria sido melhor deixar seguir esta
manifestação completamente?
O
que se manifestou?
Uma
modificação do seu coração, do órgão.
Ao
invés de refutar a manifestação ou a modificação do órgão, refute o órgão.
Essa
é toda a diferença.
Foi
isso que permitiu a manifestação ou a intervenção do seu mental.
Você
não pode constituir uma manifestação qualquer do que não existe, então, refutar
uma manifestação de algo que não existe, reforça o que não existe.
Não
erre de alvo.
A
manifestação é um fenômeno agradável ou desagradável que nasce, como você o
disse, em algum lugar no seu coração.
Você,
portanto, refutou a manifestação desta anomalia e ela desapareceu.
O
mental apoiou-se nisso, ou seja, no coração, para se ativar.
Este
tipo de refutação, de algum modo, reforçou a ilusão de ser esse coração que
bate.
Você
fez retorná-lo à sua normalidade, então, a uma existência: ele não desapareceu,
o que foi uma alegria para o mental.
Mas
isso faz parte da experiência.
E
assim que você constatar que a experiência (qualquer que seja) apenas
faz reforçar o que é experimentado, mesmo se esse tipo de experiência parar, a
um dado momento, você estará cansado das experiências e o Absoluto poderá ser.
Se
o coração acelera, você leva em conta, então, que existe um coração.
É
difícil conceber a aceleração de algo que não existe.
A
emoção é apenas a consequência, por isso que nós falamos do mental antes de
falar da emoção.
Porque,
o mental se apoia em quê?
Na
experiência passada.
O
mental não tem, a priori, manifestação corporal, exceto quando ele se torna
demasiadamente pesado, quando ele cristaliza.
A
emoção envolve o corpo, de uma maneira ou de outra.
Você
não pode refutar uma emoção.
Você
pode refutar um reflexo desta emoção, no mental, porque você se dirige, nesse
caso, a uma consequência (no caso da emoção), mas não à causa.
Há
uma espécie de basculamento, de passagem de um ao outro, entre a emoção e o
mental.
Muitas
vezes, a emoção ativa o mental.
Ou
o mental, ele mesmo, quando ele é suficientemente persuasivo, pode desencadear
uma emoção.
Eu
me explico: a lembrança de um sofrimento
passado, como um luto, é, então, bem um processo mental já que recorre a uma
lembrança, a uma memória e a uma história.
A
lembrança pode ser suficiente para desencadear a emoção.
Refutar
a emoção não irá refutar a lembrança e irá até reforçar a lembrança.
Foi
exatamente o que aconteceu.
Pergunta: ter
a cabeça vazia e a impressão de não mais saber ao que se segurar é uma
manifestação do ego que se solta?
É
mais uma manifestação do Absoluto
que se aproxima porque, se você considerar que é o ego que se solta, você considera que o ego existe.
E,
portanto, você o observa.
Agora
(no plano do encadeamento ou das etapas ou dos estados que levam a
não mais viver etapa), o sono, o vazio, a impressão de não mais ter
lógica, participam, inegavelmente, de uma espécie de início (mas visto do
exterior) para o Absoluto.
Quanto
melhor você se esvaziar de si mesmo, melhor
o Absoluto pode assumir o posto.
Enquanto
existir a menor parte de você, o Absoluto
não pode ser.
Não
há razão alguma para que o espectador assista à cena, se houver uma cortina e
nada atuar.
É
uma primeira etapa.
Pergunta: por
que, para alguns, o sono inscreve-se em certa futilidade e para outros traz um
qualitativo de Abandono ao Absoluto?
Porque,
para cada um, eu posso dar uma resposta que é diametralmente oposta porque eu
me dirijo ao relativo dele.
E,
para cada relativo, efetivamente, uma proposição para um pode ser uma
proposição estritamente oposta para outro.
Porque,
assim que houver palavras, assim que houver pergunta e resposta, efetivamente,
a resposta pode ser conveniente, ou não, para vocês.
O
que é verdadeiro no seu relativo, não é verdadeiro no relativo do outro, porque
há, efetivamente, do seu ponto de vista, o um e o outro.
Mas
mesmo esse questionamento, que você se coloca, é importante.
Porque
ele lhe permite ver a não compreensão, ou a não lógica aparente, de uma
resposta que pode ser ao contrário para a mesma questão.
Mas
a mesma questão não se refere à mesma pessoa: há ainda duas pessoas.
Para algumas pessoas, nada fazer pode
ilustrar-se pela qualidade de um sono e, portanto, da Liberação que se segue naquele momento.
Será
que, durante o sono, formulamos a questão do mundo?
Será
que, durante o sono, formulamos a questão da pessoa?
Será
que, durante o sono, formulamos a questão de qualquer Realização?
Portanto,
o sono é Absoluto.
Simplesmente,
o eu não tem qualquer lembrança, de outro modo o eu ficaria dormindo
eternamente e o Absoluto tomaria
todo o lugar.
A
palavra futilidade não se aplica ao sono, mas ao seu sono, nesse contexto
específico, e unicamente nesse contexto, já que é esse contexto que eu procuro
lhe mostrar.
Como
os Anciãos e as Estrelas lhes disseram amplamente: ninguém pode passar pela Porta no seu lugar.
Tomar
consciência de que existe um teatro e de todo o seu conteúdo é essencial, como
se, de algum modo, do ponto de vista do ego, fosse preciso criar ainda mais
ego, mais eu, para desviar-se, finalmente, do eu.
A
experiência leva à experiência.
Mas
o excesso de experiência acabará por matar a experiência.
Peça
a uma criança para construir uma casa com peças de madeira: se você não lhe der
peças suficientes para construir, ele vai dizer que não pode construir a casa.
Dê
a ele o número exato de peças, ele vai construir a casa.
Dê
a ele, agora, três vezes mais peças do que o necessário: o que vai acontecer?
Ele
fará uma casa, ou duas casas, ou três casas.
Mas
lhe dê, agora, dez vezes mais peças.
Ele
vai construir dez vezes a mesma casa?
Não.
Ele
vai se cansar.
É
exatamente o mesmo princípio para o ego
e para o Si.
O
recipiente, o corpo (o corpo de alimento como o corpo de desejo), não
pode conter mais do que ele próprio.
Vejam
ainda a existência do desejo, qualquer que seja: ele é preenchido, em um
determinado momento, e ele tem necessidade de ser reproduzido, e o sentimento
de satisfação afasta-se cada vez mais.
Assim
é para todo eu.
Quando
você não responde mais ao desejo, mas você se coloca a questão de “de onde vem esse desejo”, é já um primeiro passo.
Os
alimentos do ego, quaisquer que sejam, especialmente em um caminho espiritual,
vão nutrir o ego, esse é o objetivo.
Mas
chegará um momento em que, nutrido em excesso, o ego irá constatar, de maneira brutal, que ele não avançou uma
polegada, porque ele não pode avançar, ele pode apenas esvanecer-se.
Isso
é típico do corpo de desejo.
Ele
se enche, mas há limites e, então, ele se esvazia de novo, e ele volta a se
encher, e ele se esvazia de novo.
Depois,
ele vai procurar encher-se de outras coisas.
Ele
se enche e volta a se esvaziar, e chega um momento em que a estupidez desta
conduta aparece cruamente, mais ou menos rapidamente, segundo o seu tempo.
Mas
todo desejo é feito para ser saciado, mas, quando ele é saciado, nasce outro
desejo.
Eis,
portanto, a estupidez de toda busca espiritual.
Nada
há a buscar.
Nada
há a encontrar.
Apreendam-se
disso.
Vocês
dão sentido (ou vocês tentam achar sentido) no que não tem qualquer
sentido, já que efêmero.
Isso
é típico do ego e do jogo da personalidade.
Pergunta: é
normal ter vontade de atividades como pintar um muro, jardinar, etc.?
O
eu tem necessidade de estar ocupado.
Não
é nem normalidade, nem anormalidade.
Há
apenas que mudar o olhar.
Você
não é o que pinta.
Você
não é o que jardina.
Deixe
isso acontecer.
Faça-o,
se isso ocupa você, se há um impulso.
Não
julgue o impulso.
É
como para a emoção: o seu corpo pede
comida, você dá a ele.
O
seu corpo pede para eliminar líquido, você vai ao banheiro.
Você
não se coloca a questão de saber se isso é normal ou não.
Faça
o mesmo para tudo o que você tem no coração, se o podemos dizer, desse corpo ou
dessas emoções ou desse mental.
Mas
você não é isso.
Mude
o ponto de vista.
Se
jardinar ou pintar implicasse em uma Liberação,
isso se saberia.
Por
outro lado, isso é também uma derivação do mental.
Não
há, portanto, nem que culpar, nem que achar isso normal ou anormal, nem mesmo
que se perguntar por quê.
Simplesmente,
tente colocar-se, em um primeiro momento, como observador: o que você tira disso?
E,
em seguida, aceite que o que é tirado (de agradável ou de
satisfação) não é mais você do que outra coisa.
O
que se joga, aí, é sempre teatral.
Nenhuma
atividade deste mundo (social, espiritual, afetiva)
irá Liberá-lo.
Na
maioria das vezes, aliás, é até o contrário, através do desejo e da reprodução,
ou do sentido do dever ou da honra, ou do que é ainda pior: a ‘vontade de bem’, ao nível espiritual, com o sentido de uma
missão, com o sentido de algo a realizar que alimenta o ego ou o Si.
Mas,
o que quer que se faça, ou não se faça, o mais importante é apreender-se de que
você nada é do que realiza.
Esteja
consciente de que você joga.
Esteja
consciente de que você se dá prazer.
Mas
que isso não é, em nada, qualquer Liberação,
nem mesmo qualquer Realização.
Naturalmente,
em outros setores, o ator, a artista, será persuadido a realizar um sacerdócio,
uma missão, um serviço.
O
Absoluto não tem o que fazer de tudo
isso.
Ele
até ri de tudo isso porque, enquanto vocês estiverem repletos disso, vocês não
são o Absoluto.
Não
é questão de parar, mas, como foi dito, de deixar como está, enquanto estando
lúcido.
E,
assim que você estiver lúcido, você irá constatar por si mesmo que muitas coisas irão
mudar.
Em
resumo, isso não é normal, nem anormal.
Pergunta:
quando eu me pergunto “quem sou eu?” eu
tenho a sensação de ficar vazio, o meu corpo se põe a vibrar e é como se eu
flutuasse. O que provoca isso?
Eu
qualificaria isso, se o podemos nomear assim, de base para o Absoluto, mas mesmo isso deve
desaparecer.
É,
digamos, a última construção.
Porque,
efetivamente, colocar-se a questão de: “quem sou
eu?” culmina, inevitavelmente, não no Si,
mas no não Si, o que o Si ou o ego vai traduzir pelo vazio, pelo ‘nada’,
pela vertigem que é o pré-requisito para que o Absoluto se revele a você.
Você
não é esse vazio.
Você
não é, tampouco, o que você percebe naquele momento.
Passe
ao outro lado ou, como foi dito, para trás.
O
Absoluto está aí.
Pergunta: o
que você entende por “o Absoluto está aí, atrás”?
Se
você quiser uma especificação sobre o Absoluto,
isso é impossível.
Atrás,
ou seja, dito de outro modo: não há
teatro.
Atrás
é a concepção de estar como na emboscada.
O
Absoluto espera que você passe.
Ele
espera que você esteja vazio para Ser,
mas ele sempre esteve aí, exceto para você.
Nenhum
relativo poderia existir sem o Absoluto.
O
relativo desaparece a partir do momento em que ele se conhece relativo e se
aceita relativo.
Isso
não é uma vontade, nem a expressão de um desejo, mas é a perspicácia da ilusão,
do cenário, do ator e do espectador e do teatro.
Naquele
momento, a gargalhada chega, você está pronto.
O
que estava atrás está na frente.
Ou
seja, não pode mais ser ignorado.
Você
é o Absoluto.
Pergunta:
existem afinidades entre as consciências, no Absoluto?
Sim,
em função talvez, às vezes, de linhagens de origem, se o podemos dizer de algo
que não tem origem, mas que, entretanto, passou por um lugar (que não é uma
memória, mas uma coloração).
Mas
lembrem-se de que o Absoluto não é
uma consciência.
A
consciência é, já, uma projeção.
E
toda projeção encontra uma afinidade através de uma outra projeção, ou seja, de
uma outra consciência.
Como
para a personalidade, aí também, em meio à consciência, é preciso deixar como
está.
Não
dar mais peso do que ela realmente tem, que está ligado a esta famosa
coloração.
O
Absoluto não pode ser afetado por
qualquer jogo da consciência.
Ele
o vê, mas ali não participa.
Do
mesmo modo que você precisa ver o seu ego,
não para julgá-lo, mas para refutá-lo.
Você
não pode refutar o que você não vê.
O
desconhecido não pode ser conhecido.
É
a única coisa que você não pode refutar, e é nesse sentido que está a única
investigação e a única possibilidade de viver o Absoluto.
O
ego poderá sempre lhe dizer que isso
não é verdadeiro.
Eu
responderia então: como você pode saber já que você não o viveu?
É
uma projeção e não uma vivência.
O
ego apenas existe por suposição, ou
pelo passado (experiências passadas).
Pergunta: que
lugar pode ter a fé no processo de acesso ao Absoluto?
O
pior dos lugares, porque a fé é oriunda da crença.
Existe
apenas certa forma de fé que lhes foi esboçada por algumas Estrelas (nota: em particular,
nas intervenções de HILDEGARDA
DE BINGEN de 31 de março de 2012 e de 25 de outubro de 2010) .
Mas
existem, é preciso dizê-lo, muito poucas consciências capazes de tal fé.
Na
maioria dos casos, a fé é apenas um álibi para uma boa conduta.
Enquanto
a fé não for uma experiência, ela permanece uma crença.
A
fé pode chegar, para algumas consciências, a transformar-se nesta famosa Tensão para o Abandono e, portanto, no Abandono
do Si
que é, eu os lembro, aí também, uma refutação do ego.
Portanto,
se a fé levá-lo à refutação do ego,
está perfeito.
Mas,
na maioria das vezes, ela faz apenas fortalecer o ego, colocando-o em uma falsa humildade e em uma falsa
simplicidade, porque isso existe exclusivamente em meio a este mundo, não
permitindo, de forma alguma, o acesso ao Absoluto.
Isso
permanece linear, isso se chama ‘vontade de bem’,
isso se chama boas ações.
A
fé, na maioria das vezes, afasta-os da Autonomia,
e mais ainda da Liberdade, porque
ela impõe regras a vocês.
O
Absoluto não pode ser limitado por
regra alguma, especialmente espiritual.
É
um chamariz do ego.
Eu
diria: uma trapaça camuflada.
Parece-me,
aliás, que em sua tradição ocidental, foi dito que aquele que tivesse a fé para
mover montanhas, se não tivesse o Amor,
nada ganharia.
O
problema é que o ego sempre fala de amor, ele faz exigência.
Mas
vocês talvez saibam, por tê-lo vivenciado, que o amor humano é condicionado e
condicionante, enquanto que o Amor
Vibral é incondicionado e incondicionante.
Isso
foi dito ontem por UM
grande AMIGO (nota: canalização de UM AMIGO de 12 de abril de2012).
Portanto,
o amor humano é uma projeção no ser amado, em uma procura, mas ele não é
vivenciado, em si,
para si:
de outro modo, isso se chamaria
Realização.
A
Liberação é totalmente outra coisa.
Ela
é, de algum modo, a vivência do Amor
total, além de todo Si, pela Onda
da Vida, pelo Manto Azul,
acompanhando-se, é claro, de uma ausência de focalização, de projeção ou de
qualquer localização, até mesmo, em uma forma limitada existente.
Há,
de algum modo, neste Amor Absoluto,
incondicionado e incondicionante, o que eu nomearia uma permutabilidade.
Vocês
são vocês, mas vocês são cada um de vocês.
Isso
não é um ideal, mas a estrita verdade do que é vivido.
A
fé vai dar-lhes a compaixão.
A
fé vai desenvolver o sentido do serviço, da devoção, que é uma primeira etapa,
mas que é relativa.
Mas
não façam da fé um objetivo.
Ela
é um elemento que pode servir ou desservir.
Pergunta: é a
fé que me dá, às vezes, o sentimento de estar religada à Eternidade, a algo que
tem a ver com o Absoluto?
Absolutamente
não.
A
fé, quando muito, pode ser o que eu acabo de exprimir: esta famosa Tensão para o Abandono.
Mas
a Tensão para o Abandono não é o Absoluto.
É
uma impressão, como você disse.
É
algo que lhe dá o sentimento de.
Mas
o Absoluto jamais será uma impressão
ou um sentimento.
Considerar
isso é considerar que existe um movimento.
O
Absoluto não é um movimento.
O
movimento percebido pela Onda da Vida
em ação é apenas, de algum modo, o ajustamento ou o reajustamento do ego, ou do Si, ao Absoluto.
Se
eu puder empregar esta expressão, o Absoluto
É, e ele é, portanto, imóvel.
A
tradução, ao nível do que é efêmero, é o movimento.
O
sentimento da Eternidade não é a Eternidade: é uma emoção.
Enquanto
existir emoção, o Absoluto não pode
ser: ele permanece um ideal situado em
outro lugar do que em você.
Ele
vai se traduzir, sempre, pela colocação em ação e em movimento de algo visando,
aí também, reproduzir isso.
Isso
se chama o corpo de desejo.
Pergunta:
como a Onda da Vida e o Manto da Graça podem dissolver o que não somos se o
Absoluto está além da Onda da Vida e do Manto da Graça?
Jamais
foi dito que o Manto Azul da Graça
era o Absoluto, evidentemente.
A
Onda da Vida, vocês a percebem.
Quem
percebe, senão este corpo, este ego ou este Si?
O
Absoluto não é qualquer percepção.
Por
outro lado, são (como foi dito) formas de testemunhos traduzindo, digamos,
uma forma de ação (ou, de preferência, de interação) entre o Absoluto e o resto.
Mas
lembrem-se de que não há possibilidade de passagem de um ao outro, mesmo se
existir, efetivamente, esta interação.
A
um dado momento, é preciso não mais existir, é preciso, portanto, desaparecer,
o que significa, exatamente, sair do parecer e até mesmo sair do Ser.
O
Absoluto sempre está aí, mas ele vem
a vocês a partir do momento em que vocês estiverem vazios.
Mas,
para ir para esse vazio, é preciso, com certeza, construir algo porque é muito
difícil, para o ego que não
construiu essas casas (uma certa quantidade), escapulir totalmente, digamos, para
o Absoluto.
Ele
passa por formas de etapas, formas de conscientização, onde a consciência
parece cada vez mais ampla, levando à não separação do Si, à transformação do ego para o Si.
E
depois, a um dado momento, tudo isso também deve ser largado.
Mas
o Absoluto jamais será o Manto Azul da Graça, nem mesmo o Sol, nem mesmo vocês.
E,
no entanto, a consciência do homem, mesmo confinada em um relativo que é este
corpo e este corpo de desejo, pode viver a experiência do Absoluto, porque isso não é uma experiência: é a Vida.
O
testemunho é o oposto mesmo do testemunho do ego.
O
ego, vocês sabem, calcula, reflete, em termos da dualidade bem/mal, prazer/desprazer, positivo/negativo.
O
Absoluto nada é de tudo isso.
Ele
é permanente.
Nada
pode afetar o Absoluto.
Se
vocês forem afetados, vocês não são o Absoluto.
A
um dado momento, tudo isso deve ser também deixado, e tudo isso deve aparecer
e, depois, desaparecer.
Aparecer,
como no palco do teatro: com um palco
mais iluminado, cenários mais refinados, um ator mais perspicaz e a tomada de
consciência do espectador, ou mesmo do teatro.
O
que permitirá ser Absoluto, quando o
teatro não mais existir.
A
iluminação (que é levada pela percepção e pela Vibração) permite uma espécie de movimento que vai, de algum
modo, afastar-se do ego, para ir
para o Si.
Há,
realmente, uma mudança em meio ao linear.
Essa
mudança do linear é um impulso que irá levar, a um dado momento, a não mais ser
tudo isso.
Enquanto
vocês permanecerem persuadidos (porque vocês o vivenciaram, ou pensam vivê-lo) de que as Vibrações vão fazer outra coisa do que
conduzi-los ao Si,
vocês não irão viver o Absoluto.
É-lhes
preciso, portanto, também, como isso foi dito, renunciar a todo poder
espiritual, a toda manifestação dita espiritual.
É
preciso ir, do mesmo modo, além do som, como foi dito por UM grande AMIGO no Yoga da Eternidade.
Esse
yoga não é um yoga: é simplesmente o bom
senso, a lógica.
Lembrem-se
de que a lógica do ego apenas se
inscreve sempre na ação/reação.
O
Si
permite-lhes viver a Ação da Graça, a
Fluidez, a Sincronia, a Unidade.
Vão
além.
Aceitem
perder o que jamais foi conquistado, por fim, já que, de todo modo, isso seria
efêmero.
Quem
pode dizer o que vai se tornar sua Kundalini
quando este corpo desaparecer?
O
que vai se tornar a Coroa Radiante do
Coração quando não houver mais este corpo?
Será
que vocês compreenderam?
Mensagem do Venerável BIDI
no site francês:
http://www.autresdimensions.com/article.php?produit=1420
13 de abril de 2012 –
Parte 2
(Publicado em 14 de abril
de 2012)
Tradução para o português:
Zulma Peixinho
http://portaldosanjos.ning.com

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