Pergunta:
quando eu faço uma pergunta, os ¾ do tempo eu não compreendo a resposta.
Bem.
Se então existir em três
quartos do tempo uma ausência de compreensão, resta então um quarto do tempo em
que há compreensão.
Eu lhe responderia então, de
que lhe serve a compreensão?
A compreensão é
sistematicamente um ato do mental que se apodera de uma resposta, qualquer que
seja ela, e se satisfaz porque ela se alimenta deste dito mental.
Nós podemos então dizer que
nos três quartos de tempo há impossibilidade de nutrir o seu mental.
E então você perde apenas o
quarto do seu tempo.
As perguntas são infinitas.
As respostas são tão
importantes.
Quer isso seja no quadro que
eu lhes propus ou no quadro de qualquer interveniente, uma pergunta chama uma
resposta, esta resposta chama uma outra pergunta.
Assim vai a vida do ser
humano no seio da ilusão.
A ilusão precisa se
tranquilizar e ela se tranquiliza compreendendo.
Compreender não lhe
permitirá nunca viver o que quer que seja fora do mental, fora da ilusão.
É preciso justamente
ultrapassar e transcender toda compreensão: ir além da compreensão.
Isso quer dizer que a
pergunta chama uma resposta, que além das palavras que são pronunciadas, além
do que é compreendido ou incompreendido, o objetivo nunca é alimentar o mental,
mesmo se este dá a impressão, e vocês dão o sabor.
O importante situa-se em Outro
lugar [Alhures],
bem além da ilusão.
Bem além também do que vocês
podem perceber ou sentir na presença de um interveniente ou de outro.
O importante está exatamente
em Outro
lugar.
Porque este Outro
lugar é que vai lhe permitir nutrir o Essencial e não o mental.
Nutrir o mental não nutrirá
jamais o Essencial, porque o Essencial não é jamais mental e ele
não pode ser nutrido pelo mesmo alimento.
O Essencial se nutre de
risos e de alegria.
Ele não pode de forma alguma
satisfazer-se de uma explicação lógica vinda da ilusão e servindo a ilusão.
O Essencial não é então
acessível a qualquer compreensão, e eu diria que é preferível dormir nisto que
dizemos, antes de fazer funcionar, andar, o mental para tirar dele qualquer
coisa que vai, finalmente e em definitivo, exclusivamente nutrir o mental.
Claro, a compreensão vai
satisfazer o ego e a personalidade.
Porque este ego e
esta personalidade vão, sem justa causa, apropriar-se da resposta e ter um
elemento de nutrição que irá reforçar, permanentemente, o ego.
A compreensão irá reforçar
as crenças, quaisquer que sejam estas.
As respostas às perguntas e
as perguntas que vocês se colocam vão nutrir o mental, nutrir as crenças, vão
reforça-los ou invalidá-los em suas próprias crenças.
Obviamente, aí não está o
propósito das nossas entrevistas, nem de qualquer entrevista concernente aí
onde vocês estão e aí onde nós estamos.
Claro, as palavras são
sempre um suporte (e vocês o sabem) para
viver uma Vibração, uma consciência diferente, nova.
Mas aí também, é-lhes necessário
ir muito além.
Aí também, eu os convido a
não satisfazerem-se tanto de uma compreensão como de uma Vibração, mas a
transcender tudo isso.
Então, eu lhe diria: faça
calar a compreensão, faça calar a Vibração, pois você não é nem o que você
compreende, nem o que você Vibra.
Vá além.
Durma.
É aí onde você é mais
eficaz, mais ativo: não aqui, mas em Outro lugar.
Ora, eu o lembro de que você
não é nada do que é conhecido na ilusão.
Você está em Outro
lugar, na condição de estar plenamente presente, Aqui
e Agora, neste Outro lugar.
É preciso afastar qualquer
culpabilidade, é preciso afastar todo julgamento sobre o fato de não
compreender ou de compreender, porque nenhuma satisfação é real.
Ela apenas nutre, ainda uma
vez, senão o ego, a personalidade.
Não ter perguntas ou não ter
mais perguntas, é já voltar-se em direção a este Outro lugar.
Isso é já empreender, de
alguma forma, um retorno em direção a Outro lugar.
Desde o instante em que você
não nutre mais (pelas interrogações ou por
respostas) o seu próprio mental, desde o instante em que você não se
serve mais dele para nutrir a Vibração do Si,
então, os espaços Absolutos, de alguma forma, estão prontos a se desvelar, a se
revelar, para você.
No princípio da investigação
que eu lhes propus, a refutação é precisamente a negação, se assim se pode
dizer, de tudo o que foi compreendido e assimilado até o momento que vai
permitir, precisamente, de alguma forma, fazer desaparecer a máquina infernal
que representa o cérebro.
Deixando lugar limpo, lugar
livre, para o que não é efêmero.
Eu o convido então a dormir,
porque quando você dorme, você nunca está tão perto da Verdade e do Centro.
Porque quando você dorme,
você está, Aqui e Agora, no Absoluto,
mas não aqui e agora do ego ou do Si.
Isto prova, de forma
irrefutável, que nos instantes em que você é capaz de ultrapassar a
compreensão, porque, como você o diz, você não compreendeu (ou seja, nos momentos em que você se encontra na
incompreensão), é muito exatamente nesses momentos onde você está (eu diria, em sentido figurado) para o mais
próximo do Absoluto.
Contrariamente ao que lhe
vão sussurrar o ego e a personalidade que querem fazê-lo crer que compreendendo
as coisas, você se apropria de um estado ou uma consciência nova.
Nada é mais falso.
Nada é mais distorcido.
Nada é mais ilusório.
Eu o convido, portanto, para
retornar aos quatro quartos por acaso nesta famosa incompreensão.
Claro, o mental e o ego,
a personalidade, irão girar a resposta em todas as direções para tentar
compreendê-la, assimilá-la.
Feliz daquele para quem ele
não pode ter a menor assimilação, porque naquele momento não há mais alimento
para o ego e para o mental.
E este alimento, no entanto,
está aí.
Ele foi, de alguma forma,
criado.
Estas são palavras, estas
são Vibrações
que não podem se perder.
Não é porque elas não são
compreendidas, não é porque elas não são escutadas, porque elas não são
ouvidas.
O que foi ouvido nutrirá, um
dia ou outro, outra coisa além do que você conhece.
E abençoe este momento em
que, justamente, esta outra coisa vai aparecer a você.
Ela sempre esteve aí.
Ela está no Centro
de Você.
Ela é imóvel, ela é a
ausência de movimentos.
Ela é permanente, eterna,
não conhece de maneira alguma a compreensão, de maneira alguma o ego,
de maneira alguma a personalidade.
Ela é justamente o que você pretende
procurar e que você não pode procurar e então você não pode encontrar.
Porque quem procura é sempre
o ego,
sempre a personalidade ou a ilusão do Si.
A partir do instante em que
você aceita que não há nada a procurar e nada a encontrar, eu posso dizer-lhe
que, nesse momento, a fruta está madura.
Muito frequentemente, a
personalidade, o ego vai retrair-se e vai chamar a isso a negação, o vazio, em
uma angústia total.
Você nunca esteve tão perto
do que você É, além do ser.
Eu o aconselho então a servir-se
dos seus três quartos de seu tempo quando você não compreende para deixar
entender aquele que, em você, compreende (além das
palavras, além da Vibração), porque neste instante, você sai do instante e
você entra, realmente, no Aqui e Agora.
O Aqui
e Agora é necessário para
aproximar-se do instante presente.
Mas o instante presente não
é o instante eterno.
O instante presente é uma
parada do tempo, uma saída da linearidade do tempo que é próprio e
especificidade do ego e do mental, ação/reação.
O instante presente o faz
descobrir Aqui e Agora.
A potência do instante
presente não deve ser, não mais, uma busca ou uma finalidade, porque o instante
presente deve desembocar no instante eterno que não depende de qualquer
instante presente.
O nada, o vazio, a angústia
a mais total da personalidade e do ego, é certamente o sinal maior de
que o Absoluto se revela.
Esta angústia da
personalidade, esse vazio, esse nada, essa perda dramática, esta não
compreensão, essa violência mesma que pode existir nesses momentos, é
certamente o instante presente que vai ceder seu lugar ao instante eterno no
abandono do próprio Si ao não-Si, ao não-ser, ao Absoluto, que sempre
esteve aí.
Apreendido e aceito que o
fato de procurar, e pior, o fato de encontrar, apenas o distância do Absoluto.
Se você aceita isso (e não há grande coisa a compreender, vou conceder-lhe),
você terá dado um passo imenso em direção à imobilidade, em direção ao que está
além do vazio, além do pleno, além do mim, além do Si,
portanto no não-Si e o não-ser.
E um dia você vai rir de si mesmo, você vai rir do seu Si, porque você o terá caçado, não numa
vontade qualquer, não em uma compreensão qualquer.
Mas o que terá sido ouvido
terá funcionado.
Sem o conhecimento do seu
consciente, visto que o Absoluto não tem nada de consciente.
Sem o conhecimento de seu Si, visto que o não-Si não tem nada a ver com o Si.
Em definitivo, agradeço-lhe,
portanto, pela sua não-pergunta porque justamente aí há um motor que o coloca
na estrada, pelo menos, você o crê, em direção ao Absoluto.
Porque, é claro, você o
compreendeu, não há nem estrada, nem caminho, nem compreensão, nem
interrogação.
A resposta que eu formulo
não é senão um meio de estar na felicidade com vocês, de exprimir sobre o que
nada pode ser exprimido, ou seja, o Absoluto.
Apreendam bem que, através
desta frase não há nenhum erro de linguagem, mas sim uma Verdade imóvel, eterna e Absoluta.
É preciso que você pare de
procurar e de acreditar que você vai encontrar e, pior ainda, de encontrar.
Não há desde o instante em
que você para a investigação, desde o instante em que você não compreende mais
nada, que pode alvorecer o que sempre esteve aí.
Não antes.
Porque a compreensão, como o
caminho, como a estrada, não são, em definitivo, mais do que obstáculos que o
impedem de viver, de penetrar o que sempre lhe penetrou: o Absoluto.
Como nós já lhe dissemos, o Absoluto
não é um estado, muito menos uma experiência, menos ainda uma conscientização,
ele está aí.
Ele sempre esteve aí.
O que quer que você faça, o
que quer que você viva (quer você seja vivente ou
morto, quer o seu corpo esteja aí ou não, quer o mundo esteja aí ou não),
aquele que está por trás daquele que observa, é Você.
Mas não você em um nome, não
você em uma identidade, não você nos conhecimentos, não você em seu intelecto,
não você em uma história, seja ela qual for, não você em uma relação, qualquer
que seja.
Se você ouvir o que eu digo,
bem, dependendo de onde você se localize, quer você compreenda, quer você não
compreenda.
Eu deixo você adivinhar o
que é, de alguma forma, melhor para você.
Sabendo que eu nunca me
dirijo àquela que faz senão passar (isto é, seja
sua pessoa, ou seja este Si tão preciosamente adquirido).
Aceite que você não pode
adquirir nada além do que já não seja.
Eu não lhe peço para
compreender, mas para ouvir, que não tem estritamente nada a ver.
Se você ouvir que não há
nada a adquirir, você não pode então colocar nada em movimento, você não pode
mais do que deixar quieto, deixar fazer.
Se você ouve isso, então há
o nada.
Mas quem vê o nada?
Vai além deste que não vê o
nada.
Você não é Você,
naquele que vê o nada.
Vá, não muito longe, porque
não há nada para ultrapassar, mas vá mais para as profundezas, sem descer e sem
subir.
Deixe simplesmente
desaparecer o que é compreendido.
E você estará, se assim
posso dizer, muito perto.
Nós podemos avançar.
Ficando imóveis.
Pergunta:
qual é a diferença entre transcendência e refutação?
É já necessário que estes
dois termos se apliquem a algo comum para falar de diferença.
Fala-se de diferença de cor
de pele quando se fala de uma pele que é branca ou de uma outra cor.
Qual é o elemento comum que
existe entre a refutação e transcendência?
Se não está, eu acho, na sua
cabeça que lhe é necessário passar de uma a outra.
A refutação é uma ginástica
que visa desviar o mental, para siderá-lo, de alguma forma, para afogá-lo em
suas próprias certezas, em suas próprias crenças para demonstrar-lhe e
mostrar-lhe que elas não têm nenhum sentido.
A transcendência evoca, na
maioria dos casos, uma passagem de um estado a outro, de um momento a outro,
passagem de um estado ou de um momento que evoca, de certo modo, uma
transformação, uma possibilidade de ponte de um ao outro.
A refutação é nada porque a
refutação é uma ação inscrita dentro da ilusão, quebrando a ilusão.
A transcendência é colocada
como condição de que há um estado que deve dar um outro estado.
A refutação não permite
passar de um estado para outro estado.
A refutação vai suprimir
todos os estados.
Tendo feito desaparecer
todos os estados, o que sempre esteve aí pode finalmente aparecer àquele que,
por assim dizer, olha.
E aquele que olha vai, em
definitivo, tornar-se o Absoluto.
A transcendência é uma
dinâmica: há um movimento aparente, suposto ou real.
A refutação visa destruir
qualquer movimento, sem esforço, simplesmente jogando o jogo, de alguma forma,
do mental ilusório e o jogo da personalidade.
A transcendência é já
vislumbrar que há uma passagem e já, na maioria dos casos, essa passagem é
aquela do Eu, da personalidade, ao Si.
Mas não há qualquer
transcendência entre o Si
e o não-Si.
Não é possível.
Não se passa de um estado ao
outro.
Não há nenhuma ponte.
Simplesmente, quando o não-Si é estabelecido, nesse momento vocês
podem voltar dentro do Si
e dentro do Eu.
E isso se torna, para vocês
que estão na forma, um jogo, mas é válido neste sentido.
Pode-se dizer que a ponte
existe neste sentido e que, realmente, aí, sim, há transcendência: do
não-Si para o Si.
Eventualmente, do Si para o Eu.
Há transcendência do Eu em
direção ao Si, mas não pode haver
transcendência do Si ao não-Si.
Não há nenhuma ponte.
A ponte não se construiu no
outro sentido.
É uma ponte de sentido
único, mas que permite o duplo sentido, após.
A transcendência não pode
então estar relacionada ao Absoluto.
A transcendência não se
refere mais do que à passagem do Eu ao Si.
O problema do Si, seja ele o mais vasto, é sempre
confinante.
Antes de ser o Si, antes que este corpo não existisse,
antes que este saco de comida aparecesse, o Si
estava lá?
Havia uma consciência para
observá-lo?
O Absoluto é tudo salvo a
consciência, tudo salvo o Si,
tudo salvo o Eu, porque tanto o Si como
o Eu são efêmeros.
Não pode existir
transcendência, nesse sentido.
A transcendência é útil para
aquele que quer passar do Eu ao Si.
Mas essa transcendência não
pode ser colocada adiante, de nenhuma forma, na passagem do Si no não-Si,
visto que não há passagem.
Isso religa a problemática
da pergunta e da resposta.
Como você procura uma
passagem (que não existe), como você planeja
uma transcendência, há (subentendida, em você) a
necessidade de persistência dentro de uma identidade, quer ela seja limitada
como o Eu, ou vasta como o Si.
Mas vocês não são uma
identidade, muito menos uma história, qualquer que seja a história, porque a
história se desenrola na ilusão.
Vocês estão muito além de
qualquer história ou de qualquer transcendência.
Vocês não podem chegar lá
adotando tais pontos de vista.
Porque vocês não sabem,
vocês não têm nenhuma consciência do que era antes deste saco de comida, e até
mesmo se você souber de outros sacos de comida que supostamente foram vocês,
antes, em outras vidas, onde estariam vocês entre os dois sacos de comida?
O que fariam vocês?
Se vocês têm a resposta para
isso, então a resposta é verdadeira.
Mas tudo o que vocês supõem antes é falso.
A refutação é aceitar servir
de ferramenta que acredita sempre ter razão para mostrar-lhe que ele não é a
razão, que não há nenhuma lógica na razão, que essa lógica só pode servir na
ilusão para manter a ilusão, para entreter a ilusão, para nutrir o ego ou
nutrir o Si.
Mas o Absoluto não pode ser
nutrido por isso.
Eu diria que ele o abafa um
pouco mais, ele o afoga um pouco mais.
Lembrem-se: o Eu,
o Si, fará tudo o que estiver ao seu alcance
para que nunca vocês sejam imóveis, para que nunca o Absoluto seja vivido.
Não nada mais do que a
refutação.
Não há nenhuma meditação,
nenhuma espiritualidade, nenhuma Vibração, que possa conduzi-los ao não-Ser.
Certamente, esta
transcendência do Eu ao Si,
nos primeiros tempos, é útil (vira mesmo
indispensável, porque ela vai tranquilizar o Eu, o Si), demonstra
que o Eu é ilusório.
Mas quem vai demonstrar que
o Si é ilusório?
Ninguém, porque o Eu
não está mais aí, quando o Si
está aí.
É-lhes necessário então não
transcender, mas fazer calar tudo o que é o Si.
Mas este fazer calar não
pode se realizar daí onde vocês pensam estar.
De forma alguma, esta
transcendência, assim nomeada, está senão fazendo a refutação que permite minar
os fundamentos do Eu e do Si,
criando (e o termo é exato) um
curto-circuito.
O que é um curto-circuito?
É precisamente o que vai
tomar emprestado o circuito natural, e que vai então quebrar o que não serve
para nada.
A refutação é servir (de alguma forma, no exemplo que eu tomei) de
corrente existente desta vitalidade efêmera apoiada pelo corpo de comida (quaiquer que sejam os nomes conhecidos que vocês
empregam: Chacra, Kundalini, Estado de Ser), para fazê-lo quebrar.
Naquele momento, a refutação
vai fazê-los desembocar sobre o que é real, porque compreendam que o real não
pode mudar, porque se ele muda, ele não é o real.
O real é imóvel.
Ele não tem o que fazer do
mundo, ele não tem o que fazer de vocês, de sua história, de qualquer história.
E vocês são isso.
Nada mais.
E então, se você coloca
calmamente esta refutação, você compreenderá que não há nada a procurar nem a
encontrar, porque tudo sempre esteve aí.
Mas é preciso cessar todos
os Eu,
todos os Si, todas as paródias de
espiritualidade.
Mesmo a Alegria, que tem sido tão
útil no seu caminho, deve ser transcendida, mas não pode ser transcendida.
É, de fato, o riso do Absoluto
que faz a passagem, mas não o contrário.
Neste sentido, e somente
nesse sentido.
Então, se você rir de você,
se você rir do seu Si,
se você rir de tudo, primeiramente isso vai angustiá-lo, porque a
espiritualidade é séria, não é?
Fala-se de eternidade,
fala-se de permanência, de imanência e transcendência.
Mas temos de rir de tudo
isso.
Porque isso muda, e como
algo muda, não é real.
E você mesmo, você muda
todas as manhãs, então isso não é real.
É o ego que vai fazê-lo crer
nisso, que vai trazer uma substância ao que é irreal.
O real não pode mudar.
Ele é Absoluto.
Tudo o que você manifesta
muda: seu humor, sua aparência, o observador.
Se assim posso expressar-me,
vai em direção ao vazio, vai em direção ao que o seu ego chama o nada.
E você encontrará o que é
pleno, o que não se agita, o que não muda.
Isso sempre esteve aí e você
É
isso.
Você descobrirá então que
você não precisa deleitar-se de Amor ou de Luz, porque é muito
exatamente o que você É, você Não é nada mais.
Se você imagina a Luz e
o Amor
como exteriores a você, como uma busca, como uma investigação, você não poderá
jamais encontrá-los.
Você só poderá vê-los,
porque você se distanciou e se separou do que você É, no real.
Você só tem que Ser
isso, no não-Ser, no não-Si.
Você quer ser feliz?
Não há mais nada para ser
feliz.
Todo o resto faz senão
passar.
Mesmo a Alegria.
Mesmo a Kundalini.
Mesmo os chacras.
Que se tornam os seus
chacras quando você morre?
O que acontece com a sua Kundalini
quando você morre?
Você pode trazer a sua Kundalini
do outro lado?
O que você carrega?
Você vai levar as suas
memórias?
Você vai levar a sua
história?
Tudo isso muda.
Isso não é real.
E você É real.
Refute e você verá o que
acontece e quem sempre esteve aí.
Transcenda se você quiser,
mas acima de tudo refute.
Transcender não é o
suficiente.
Refutar é totalmente
suficiente.
Descanse em paz.
Aprenda a ficar quieto.
O que você chama de
espiritualidade cansa-os mais do que qualquer outra coisa.
Agradeçam, mesmo, por não
compreender.
Agradeçam, mesmo por aqueles
que não experimentaram o Si,
porque o campo está livre para o real e para o não-Si.
Não se acede ao não-Si a
partir do Si, mesmo se esta é uma
etapa que parece real.
O não-Si
não tem o que fazer do Si
e ainda menos do Eu.
A Fonte
sai do Absoluto.
O Absoluto contém a Fonte.
A Fonte
não contém o Absoluto, mesmo se o Absoluto está presente na Fonte.
Não pode ser de outra forma.
Assim como seu Eu
se torna possível para o Absoluto.
E ele não sabe.
Se você refuta assim, desta
forma, os seus progressos (se é que se pode falar
de progresso) serão fulminantes.
Mas lembre-se que o ego vai
fazer de tudo para dizer-lhe que é estúpido, então que é ele quem é estúpido.
Não atribua nenhuma
importância ao que acontece.
E você, aliás, faz nada mais
do que passar.
Renda-se conta deste
absurdo.
Que você É
Absoluto.
O erro é acreditar que este
corpo, esta história, este caminho, são o Absoluto.
O Absoluto permite isso.
Se não existisse o Absoluto,
não haveria o Eu, nem história, nada.
Ora, não há nada.
No máximo, a percepção do
nada, da angústia, mas mesmo a angústia que é sustentada pelo Absoluto.
Sem Absoluto, sem angústia.
Mas tudo isso é para refutar.
Porque, se eu pedir para
você transcender uma angústia, como você vai fazer?
Mensagem de BIDI no site francês:
http://www.autresdimensions.com/article.php?produit=1431
07 de maio de 2012
(Publicado em 08 de maio de 2012)
Tradução para o português: Josiane Oliveira -
http://fontedeunidade.blogspot.com.br/
http://minhamestria.blogspot.com

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